Financiamento com poupança é recorde
Matéria publicada originalmente na Gazeta do Povo. Caderno de Economia, edição de hoje (04/08/2011).
O financiamento imobiliário com recursos da caderneta de poupança bateu recorde e fechou o primeiro semestre de 2011 com alta de 55%, na comparação com o mesmo período do ano passado. As operações atingiram R$ 37 bilhões – foram 236,5 mil unidades financiadas, alta de 26% ante o mesmo período de 2010 –, segundo dados divulgados ontem pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). É o melhor resultado para o período na série histórica, iniciada em 1967. A estimativa é encerrar o ano com R$ 85 bilhões em contratos de financiamentos com recursos da poupança – 51% acima do registrado no ano anterior.
O presidente da Abecip, Luiz Antonio França, reiterou ontem que os recursos não serão suficientes para atender a demanda por crédito imobiliário, apesar de as cadernetas de poupança terem registrado recuperação, com captação líquida de R$ 1,2 bilhão, após dois meses consecutivos de resgates em termos líquidos (o melhor resultado do ano para aplicação). “O mercado crescerá mais que a poupança”, disse. A previsão é de que os recursos se esgotem a partir de 2013.
Alternativas
Os sucessivos recordes levam os bancos a procurar fontes alternativas de financiamento, além dos recursos da poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A securitização aparece como a primeira delas. Nesse tipo de operação, comum nos Estados Unidos, as próprias carteiras imobiliárias são transformadas em títulos, que serão vendidos no mercado como forma de refinanciamento para investidores. As empresas securitizadoras “empacotam” as carteiras e as vendem no mercado. Outra solução seria a criação de “covered bonds”, comuns na Europa. São títulos emitidos pelos próprios bancos, com garantia tanto do imóvel quanto da instituição.
Se o recurso da poupança faltar, o reflexo para o consumidor é o encarecimento do crédito, avalia o economista Fábio Tadeu Araújo, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e sócio da Brain Bureau (especializada no setor imobiliário). No entanto, ele acredita que essas diferentes captações ainda são insuficientes. “Recursos, como securitização, existem há anos no Brasil e não decolaram até hoje, por diversos fatores, como receio de compra em relação ao risco da operação”, afirma.
Para Araújo, o governo federal apresentará alternativas antes que os recursos terminem. “O setor imobiliário é visto com muito cuidado. A probabilidade é que surjam outras fontes de recursos, como redução do depósito compulsório nas cadernetas de poupança e estímulo de criação de fundos de investimento imobiliário composto por cotas.”
Publicado em agosto 4, 2011, em Brain na Mídia e marcado como Abecip, crédito, demanda, FGTS, financiamento, imobiiário, poupança. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.
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