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Um Mar de Possibilidades
Texto originalmente extraído do Jornal “Gazeta do Povo”, edição de 26/05/12
O Bom momento da economia atinge também os jovens.
Em entrevista concedida ao Jornal Gazeta do Povo, no último dia 26, Raul Zanon – sócio consultor da BRAIN, comenta o quão promissor para os jovens está o mercado de trabalho. Segundo ele “a economia do Brasil está mais estável e atraente para que as empresas se instalem no País. E isso abre novos horizontes profissionais, principalmente para quem procura o primeiro emprego”.
Confira entrvista completa clicando aqui
De qual Classe C estamos falando?
Tornou-se lugar comum pesquisar, estudar ou simplesmente falar sobre a ascensão da classe média (Classe C) brasileira. Mais comum tem sido destacar as enormes oportunidades de negócios decorrentes dessa mudança social.
É inegável que, sob qualquer aspecto, o país passou por uma “revolução” social nos últimos seis anos. É importante, porém, compreender com precisão quem são os milhões de brasileiros que agora pertencem a esta classe média.
De forma simples e intuitiva, denominamos economicamente como classe média aquela que está entre as famílias de maior e de menor renda. Como o Brasil estratifica suas famílias em cinco grupos de renda, classificamos as de maior renda como Classe A e as de menor renda como Classe E, daí o porquê de chamarmos classe média de Classe C.
Entretanto, classe média econômica não é a mesma coisa que classe média social. Fomos, desde os anos 1950, acostumados a entender classe média como conceito social. Um tipo de família com um bom padrão de vida, porém longe de ser rica. Seria aquela família que possui casa própria, o pai e a mãe têm seu próprio carro e seus filhos estudam em colégios privados, pois valorizam a educação.
Ocorre que a Classe C possui renda aproximada entre R$ 1.200,00 e R$ 4.800,00, ou seja, dificilmente poderia ser classificada como classe média a partir daquele conceito social. Por isso, é importante entender que a nova classe média não está à procura de um apartamento de 3 quartos com suíte e duas vagas na garagem, mas busca o seu primeiro imóvel próprio.
Traduzindo aquela ascensão em número: entre 2003 e 2010, a Classe C aumentou em 28 milhões de pessoas e, pela primeira vez na história, a classe média superou o número de pobres no Brasil. Além disso, 7 milhões de pessoas chegaram às classes B e A, engordando aquela classe média em seu conceito social.
E qual o resultado disso? Uma explosão de consumo! Os brasileiros já compram mais de 12 milhões de computadores por ano; mais de 3 milhões de veículos; e, neste ano, pela primeira vez, mais pessoas viajarão de avião do que de ônibus. E o mercado imobiliário segue a mesma tendência, com dois movimentos simultâneos. Do lado mais visível, o aumento exponencial da venda de imóveis econômicos, um mercado que praticamente não existia.
Em Curitiba, por exemplo, podemos sem dúvida afirmar que a explosão do mercado decorreu do aumento da Classe C. Em 2005 lançamos apenas 1,7 mil apartamentos, sendo 10% de 2 quartos. Em 2010 foram 10 mil apartamentos, sendo 50% de 2 quartos. E mesmo no caso de apartamentos de 3 quartos, a grande maioria foi no padrão econômico, tanto que a metragem total média dos apartamentos caiu quase 40% no mesmo período.
E do lado ainda pouco visível, o aumento da demanda por produtos de maior valor, como apartamentos de 4 dormitórios. A intenção de compra deste tipo de imóvel passou de 10% para 16% do total entre 2005 e 2010, o que mostra o aumento do poder aquisitivo e do tamanho desta não mais tão pequena Classe A.
Porém, como só se fala sobre a ascensão da Classe C, o mercado parece que ainda não acordou para o potencial que representa a “nova” Classe A. Muitas famílias estão residindo em imóveis com mais de 20 ou 30 anos, época em que o número de banheiros e vagas de garagens era pequeno e nenhuma tecnologia digital existia. Esse público deseja morar melhor. Está, portanto, à procura de bons, amplos e modernos imóveis. Porém uma coisa não mudou, eles ainda desejam os melhores endereços da cidade!
Um debate ainda por acontecer
Artigo originalmente publicado no caderno de Economia da Gazeta do Povo, em 11 de março de 2011
A ata do Copom é tratada pelo “mercado” como algo inacessível aos não iniciados. Também, pudera: chega a ultrapassar 30 páginas. São tantos dados (inflação, emprego, renda, câmbio, PIB) que realmente o documento parece obscuro às “pessoas comuns”. Do enorme compêndio, os analistas de mercado financeiro pinçam não mais que três ou quatro pequenos trechos para embasar suas “análises”.
Na última ata, houve os que preferiram enfatizar a tendência de alta dos preços (“O cenário prospectivo para a inflação não evoluiu favoravelmente desde sua última reunião”) para justificar que novos aumentos de juros serão necessários. Já aqueles que quiseram destacar a importância do esforço fiscal do governo utilizaram o trecho “desenvolvimentos no âmbito fiscal e parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vista a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”. E, finalmente, analistas que consideram acertada a decisão do Banco Central de passar a utilizar novos instrumentos de política monetária que não à taxa de juros aproveitaram a seguinte passagem: “Ações macroprudenciais recentemente implementadas – um instrumento rápido e potente para conter pressões localizadas de demanda –, e ações convencionais de política monetária ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços”.
Enquanto no Brasil o debate sobre aperfeiçoamento no sistema de metas de inflação está interditado, o FMI, por meio do seu economista-chefe, Olivier Blanchard, promoveu esta semana um grande seminário em Washington, cujo objetivo foi debater o futuro da política econômica em geral e da política monetária em particular. Na palestra de abertura, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que “os últimos anos representaram uma crise não apenas para a economia global, mas também para os economistas”. Ou, como afirmou Blanchard, “antes da crise, convergimos para o belo em termos de políticas macroeconômicas (…) Infelizmente, beleza não é sinônimo de verdade”.
Talvez a única verdade no momento seja a não existência de verdades absolutas no mundo da política econômica. O que o Brasil precisa é de ampliar os debates sobre nosso sistema de metas de inflação e nossa política de juros (que custam mais de R$ 150 bilhões por ano) para além do mercado financeiro, que contém excelentes analistas, mas tão enviesados (ou politizados) quanto os analistas dos sindicatos, patronais ou de trabalhadores. Afinal, a ciência econômica nunca deixou de ser também economia política!
Fábio Tadeu Araújo é professor de Economia da PUCPR e sócio da Brain


