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A que Classe você pertence?
Publicado por Brain
Muitas vezes quando apresentamos o resultado de uma pesquisa para um cliente, ele comenta no final: “Mas era exatamente isso que eu já dizia sem pesquisa, apenas não sabia os números exatos”. Nós como pesquisadores realmente costumamos dizer que, em grande parte dos casos, decorrente da experiência ou do próprio trato diário com o assunto, o feelling está muito próximo da realidade. O problema ocorre quando o feelling está equivocado, mas isso não é o objetivo do artigo de hoje.
A Data Popular acabou de publicar os resultados de uma pesquisa dizendo que o brasileiro não sabe a qual classe social pertence. E o que isso tem a ver com o início desse artigo? Pois bem, meu feelling já me dizia isso e, em minhas palestras sobre o assunto, eu vinha comentando que no Brasil, nós confundimos classe média econômica com classe média social.
Para entendermos a diferença, vamos aos números: a renda média das Classes A e B é de R$ 8.393 segundo a pesquisa e, nesta faixa de renda, há 11.2% das famílias brasileiras. Entretanto, apenas 4.7% das famílias se “enxergam” pertencendo a este estrato social. E isto ocorre porque, na cabeça do brasileiro, ser Classe A é ser rico, ter um patrimônio milionário e quem ganha mensalmente menos de R$ 10 mil (para alguns menos de R$ 20 mil) é pertencer a Classe Média, algo entre os ricos e os pobres. Isto até estaria correto, se dividíssemos as famílias em apenas 3 classes: ricos, pobres e classe média. Mas como são 5 classes, o “Classe Média Alta” do conceito social de antigamente nada mais é do que a Classe A ou B econômica de hoje.
Não é que o conceito tenha mudado, apenas nosso foco. Antes dávamos mais importância para o conceito social, porque na prática, é a partir dele que nos comparamos com nossos amigos, colegas, chefes e família. Ninguém nunca fazia um cálculo e saia perguntando aos outros quanto ganhavam. Comparavam o tamanho das casas, dos carros, o tipo e a quantidade de tvs e demais eletrônicos, quem tinha casa na praia ou chácara, quem viajava para o exterior, e, a partir dessa comparação “sentiam” a que classe pertenciam.
Enfim, ainda vai levar um tempo para o brasileiro, principalmente para o rico (Classe A), entender que ser rico é tão diferente de ser média (ou média) quanto é de ser milionário. Você já se definiu?
artigo de Fábio Tadeu Araújo
gráfico da Folha de São Paulo.
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Tags: classe econômica, classe média, classe social, feeling, pesquisa
