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Quem são, onde estão e o que querem os novos consumidores

Em estudo realizado para a edição de julho/agosto do BTV (Boletim RPC TV), a Brain apontou o potencial de consumo da Classe C paranaense. Esse novo motor da economia funcionando a todo vapor implica mais empregos, que geram mais negócios, que geram mais consumo, que geram mais empregos. Por hora, parece que chegamos ao círculo virtuoso na economia.

Os avanços econômicos recentes e a melhor distribuição de renda permitiram que os novos consumidores passassem a responder por boa parte do consumo de massa no Brasil. De acordo com o economista Fábio Tadeu Araújo, da Brain, desde 2004, mesmo com a crise financeira, o Brasil vem aumentando sua classe C, que já representa 55% da população. Outro detalhe é que também a classe AB cresceu, o que significa que os mais pobres não subiram à custa dos mais ricos, ou seja, todos viram sua renda aumentar.

Na média do Brasil, se compararmos a intenção de comprar para 2011 com o que se pretendia em 2005, percebemos facilmente que o brasileiro quer mais de tudo. Proporcionalmente, os maiores crescimentos foram para computadores e telefones celulares, mas no momento nada supera os móveis – 40% das famílias têm intenção de modernizar seus lares.

Apesar disso, de maneira geral, a classe C apresentou menores altas de intenção de compra de 2005 para 2010 que a média das classes. Para Fábio Araújo, isto provavelmente pode ser explicado tanto pela realização de compras neste período quanto pelo endividamento das compras já realizadas. Para a maior parte dos bens, aumentou a intenção de compra com pagamento à vista, mas com duas grandes mudanças: carros e imóveis. “A explicação é que todo mundo que já comprou uma casa ou um carro sabe que o primeiro bem é sempre o mais difícil porque no segundo é possível dar o primeiro como entrada. Como esses foram bens que a classe C adquiriu de 2005 para cá, é natural esperar um forte aumento na intenção de comprar esses bens com crédito”, diz.

No Paraná, os campeões de classe C são pequenos municípios do interior. Já as grandes cidades, como Curitiba, Londrina e Maringá, possuem não apenas uma grande classe C, mas também fortes classes AB. Veja o gráfico:

Em relação ao quanto essas pessoas podem consumir, as seis cidades acima correspondem à metade do consumo de R$120 bilhões do Paraná.

O preço dos serviços

por Marcos Kahtalian

É inegável que o Brasil – assim como outras economias em desenvolvimento – vem sofrendo pressões inflacionárias: aumento do preço de insumos básicos, valorização geral dos ativos – e, em nosso caso, da moeda -, pequenas bolhas de consumo e para ajudar, escassez de mão de obra com conseqüente aumento de salários.

Sobre esse ponto gostaria de destacar que, como era de se esperar, onde os preços em alguns casos dispararam foi no setor de serviços. Este setor, por ser naturalmente de mão de obra intensiva, tem encontrado dificuldade em aumentar o quadro de empregados com qualificação – gerando assim, curiosamente, o pior dos mundos: baixa qualidade de serviço e alto preço. Revistas de negócios e reportagens em geral têm trazido à tona quanto custa, comparativamente a outras cidades, o preço de refeições, transporte, hotéis – e o Brasil aparece muitas vezes como um dos locais mais caros do mundo.

O empresário deve se perguntar: o que fazer? Por um lado, quer aproveitar o crescimento; por outro deve se preocupar com a qualidade do serviço prestado e com o limite para o repasse de preços.  As empresas têm aumentado o preço, mas até quando? E, vale dizer, será que será possível essa espiral inflacionária de forma indefinida?

A resposta é não, porque a demanda tenderá a se estabilizar com o desaquecimento da economia. Mas, no longo prazo – que é como se deve olhar a estratégia – é inevitável que no Brasil o preço dos serviços aumente cada vez mais acima da inflação. Como nos países desenvolvidos, alguns serviços só poderão ser viabilizados com a redução da mão de obra e nesse ponto, o empresário precisa imaginar que mecanismos ele pode utilizar para reduzir a sua dependência de grandes volumes de trabalhadores.

As soluções devem ser avaliadas caso a caso – não existe remédio único em consultoria – mas é importante começar a traçar cenários de negócios onde o serviço possa crescer com qualidade, contornando as pressões sobre o seu preço.

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