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Apertem os cintos, o trabalhador sumiu!
Não é novidade: as vagas não são mais preenchidas. Converse com qualquer empresário e a queixa será a mesma: falta mão de obra, da básica à mais qualificada. Queixas essas às quais as estatísticas do CAGED dão razão, assim como também, por um paradoxo perverso, as do seguro desemprego, já que grande parte da mão de obra se desemprega em menos de um ano.
Se esse é o problema, qual a solução? E mais, existe solução de curto prazo?
É evidente também que não, e por isso mesmo, estruturalmente há uma pressão de alta sobre os salários reais, como forma de competição pelo mercado de trabalho. Se estamos em um ciclo de crescimento, isso vai continuar, talvez por uma década. Mas não adianta chorar sobre o leite derramado e dizer que não fizemos nossa parte – por exemplo, claramente não demos o devido valor à educação, a não ser como matéria de um discurso politicamente correto, não sustentado por nossas ações reais – e sim temos que ver o que podemos fazer. E eis o que pode ser feito, já em um curto prazo:
- Qualificar a mão de obra de base, na própria empresa. Se o trabalhador não vem pronto, caberá ao empresário investir em sua formação. Ou você acredita que o trabalhador está ansioso esperando por ser contratado por sua empresa?
- Premiar o desempenho. Se a retenção de bons funcionários é um problema, de alguma forma é preciso pensar em tornar o trabalho participante do resultado. Isso pode ser feito de diversas formas, que não é o caso aqui de explicitá-las. O recado é simples: torne seus funcionários em sócios.
- Reduzir a dependência de trabalho na base, com melhorias de processo e melhorias tecnológicas. É melhor contratar menos pessoas, mais qualificadas e mais bem remuneradas, do que muitas pessoas com baixa produtividade e alta rotatividade. Isto é, pense se não é o momento de concentrar-se em ampliar o valor de seus produtos e serviços, repensando estruturalmente sua atividade.
- Tornar sua empresa mais atraente para a mão de obra. É o que fazem as grandes, há muito tempo. Privilégio das grandes? Não, privilégio dos grandes empresários, os que enxergam longe.
- Por último, inovar na busca de mão de obra – Seja com recrutamentos não tradicionais, seja premiando pela indicação, enfim, saindo da zona de conforto para atrair novos funcionários.
No mais, o resto é a longa conversa de melhorar a qualificação, os níveis educacionais e mesmo as barreiras de entrada e saída para a mão de obra. Uma tarefa, aliás, de toda a sociedade, do governo, mas minha como professor e consultor e sua, caro empresário, como agente de desenvolvimento.
Marcos Kahtalian.